MÚSICA | O NOVO FOO FIGHTERS DE SEMPRE

 

Lembro quando o Foo Fighters lançou em 1997 o incrível álbum The Color and The Shape. Lembro em 1999 ter observado seu amadurecimento e crescimento musical com There is Nothing Left to Lose. Lembro que me senti eletrificado com One By One em 2002. Lembro que em 2005 o álbum In Your Honor foi bom, mas não impecável. E a partir deste ponto eu simplesmente não me surpreendi mais. Em 2011 com o álbum Wasting Light houve algum interesse e algumas ótimas canções, afinal o formato de gravação e a produção do mestre Butch Vig era promissor, mas não me recordo com clareza e amor deste momento e deste álbum quando penso nele. Com os trabalhos de 2014 e 2017 a banda procurou inovar, é fato, mas acabaram por se tornar um cover não promissor de si mesmo – mesmo eu gostando muito da canção “Run”. Então será que eu estou preso ao passado ou o Foo Fighters perdeu sua essencia de composição? Talvez a banda esteja tentando inovar sutilmente alterando a sua sonoridade, mas por fim apenas tem desagradado o seu público mais fiel com fórmulas simples e previsíveis… Talvez eu apenas não seja mais um fã.

Em 2020 o grupo anunciou o lançamento de novo álbum, ainda inédito, e nos presenteou com a divulgação do seu primeiro single, a canção “Shame Shame”. Logo durante a primeira audição eu senti a felicidade de reencontrar um trabalho mais adequado de equalização de volume e tonalidade de baterias, pois é exatamente assim que eu gosto e como eu acredito que ela deveria sempre ser, clara e objetiva, mas algo não está certo, eu sinto que algo está faltando. A própria linha de bateria que logo ao seu início é muito empolgante, permite quase que imediatamente uma crescente explosiva na sua contrução harmônica, porém ela infelizmente não acontece. Vergonha! Vergonha!

A música se resume em um loop repetitivo. É bem cuidadosa com os detalhes sutis de cordas e ambientação, mas honestamente eu esperava por mais, talvez por 1997, 1999 ou mesmo 2002. Não era exatamente agora, na minha percepção, o momento de ser introspectivo em uma rotatória harmônica incompleta, afinal estamos no meio de um momento único, estamos ansiosos, estamos com raiva, estamos tristes, estamos em 2020.

Talvez o Foo Fighters surpreenda a todos com o lançamento do seu novo álbum completo, mas é impossível não deixar de registrar que a sua primeira amostra está abaixo de qualquer expectativa.

AVALIAÇÃO:

<20|20>

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