CENA | O FIM DO VIOLET SODA

O Violet Soda acabou, é fato. Mas não se preocupem fãs, a banda continua empenhada e entregando novidades a todo momento, neste que é sem dúvida um dos mais talentosos projetos de sucesso da vocalista Karen Dió, e também, obviamente, da competência de todos os demais músicos envolvidose que merecem total referência, sendo os ilustres: André Dea na bateria, e também responsável atualmente pelas bandas Supercombo e Sugar Kane – além de eventuais participações em 6 a cada 10 novas bandas do cenário nacional ( afinal quem não gostaria de contar com André Dea na bateria?), Tuti no baixo – que entre muitas excursões na música responde por participações no grupo Medulla, na agência de marketing digital focada em artistas musicais Listo, ao lado da liderança de sua esposa Marina Amano, além de atualmente explorar universos paralelos com o músico Midra no trabalho solo “Missing”, um ambient soul eletronic digno de Chet Faker. Por último e não menos importante, Murilo Benites, oras baixista ou guitarrista no depender do que o projeto exigir, com atuação em quase todas bandas independentes formadas nos últimos 10 anos, além de atuação em agências e sites dedicados ao universo musical.Mas ao que se deve o fim do Violet Soda? Ninguém previu o que 2020 reservava aos meros mortais apaixonados por música e o Violet Soda com absoluta certeza escreveu planos diferentes para este ano. Com um álbum recém lançado (estamos falando da primeira semana de dezembro de 2019), a banda ingressou na promoção de seu novo trabalho com tudo o que havia de direito. Ainda em dezembro o grupo observou o seu single “I’m Trying” ganhando projeção nacional em rádio (89 FM São Paulo) com o apoio inédito da gravadora Deck Discos, em seguida catapultou o lançamento do single “Charlie”, com direito a um clipe incrível dirigido por Denis Carrion, isso apenas nas semanas seguintes ao lançamento oficial do álbum, realizado em um show “festival” no Fabrique Club em São Paulo em março, com público devoto e cantante presente, além das participações das bandas Miami Tiger, PUTZ e The Monic. Nada nessa equação poderia dar errado certo? Mas ninguém poderia prever uma pandemia global e o adiamento indefinido de show durante 2020 – e aparentemente 3/4 de 2021 (obervando as atuais programações de grandes festivais). Logo os planos mudaram para todas as bandas, drasticamente.Mas a pandemia seria capaz de vencer uma que se não é está próximo de ser, mas talvez já seja, a banda mais comprometida com o lançamento de material inédito para fãs? Não. O Violet Soda nunca parou. As músicas que não se destacaram como single tendo um vídeoclipe produzido, acabaram por ganhar uma versão especial em animação no Youtube em formato Motion Audio – qual muitas vezes simplesmente supera muitos vídeoclipes produzidos por demais bandas independentes mediante sua alta qualidade. A banda também produziu e promoveu durante a pandemia um interativo programa online nomeado de Violet Vibes, com participações ilustres, como Lucas Silveira da banda Fresno, Raffa Brasil da banda Far From Alaska e a lenda underground Mozine (Laja Records e milhões de outras bandas e projetos). Se existe outra banda underground melhor relacionada eu desconheço.

E se não bastasse isso, mas não basta, eu acredito que a banda trocaria parte de todo esse esforço monumental por simplesmente ter a oportunidade de promover o álbum com shows por todo o Brasil e além fronteiras, somos mais uma vez surpreendidos com o lançamento do EP “Hang In There” no final de outubro, um trabalho com três faixas, sendo uma delas inédita e objeto da nossa crítica de hoje no MESSCLA, uma música não aproveitada nas sessões de gravação do seu álbum debut, e perfeita para o momento a ótima “Bad Thoughts”.

Além da faixa inédia é possível conferir a performance ao vivo do single o single “Tangerine”,  registrada em seu show de lançamento no início do ano – e o qual arrisco dizer ser o maior hit da banda (talvez?) – além da canção “Do it!”, música que inaugurou e seputou por hora a carreira solo de Karen Dió, pois fora lançada como uma premissa  interrompida com a criação do próprio Violet Soda.

Mas é o fim? Talvez. O ano de 2020 resultou em diferentes desafios, lições e transformações para o Violet Soda. A sua sonoridade tem a cada novo lançamento demonstrado um caminho de composição mais adulto e harmonioso. É vibrante observar que a canção “Bad Thoughts”, um b-side ignorado no tracklist do seu primeiro álbum, apresenta uma sonoridade mais cuidadosa com os detalhes e intenção. Aos fãs resta apenas o trabalho de imaginar como uma composição tão boa não fora anteriormente aproveitada no seu álbum de estréia, pois ela muitas vezes supera outras composições nele presente, como as músicas “Lazy Guy” e “Scars”, por exemplo.

Mesmo diante de um ciclo e orgasmo abortado, a banda claramente não teve a oportunidade de promover propriamente o seu trabalho devido a pandemia – como qualquer outra banda que promoveu algum lançamento no primeiro trimestre deste ano – é possível felizmente observar ainda em 2020 o seu crescimento musical, com o lançamento de uma canção inédita e certeira para o momento que vivemos.

O Violet Soda sem dúvida ainda nos deve uma turnê digna do seu primeiro álbum, mas por agora a banda se destaca com o lançamento de um novo single, uma evolução clara na sua forma de composição, sepultando com mérito a primeira fase sonora da sua história, portanto a banda como conhecemos está morta, mas calma, muita calma, pois para cada fim existe um novo começo, portanto eu não me surpreenderia com novas e diferentes composições em 2021 – e quem sabe mudanças na formação atual da banda.

O tempo será o senhor da razão sobre todas as minhas previsões, até lá recomendamos que vocês apreciem o trabalho da banda até este momento e, claro, apóiem sempre o cenário independente nacional.

O EP “Hang In There” conquista 3 estrelas em nossa avaliação, muito graças a performance de “Bad Thoughts”, indiscutivelmente . A canção “Tangerine” ao vivo registra a legião de devotos fãs da banda em uma performance animada, mas para quem conhece o grupo sabe que a vocalista não se encontrava em condições de saúde adequadas para atingir 100% da sua capacidade vocal, enquanto “Do it!” faz um contraponto curioso a evolução de “Bad Thoughts”, pois é justamente a semente adolescente da evolução da própria banda.

AVALIAÇÃO:

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