CINEMA | UMA PEQUENA JOIA INGLESA

O dia amanhecia enquanto eu e uma amiga circulávamos pela cidade, ambos desesperadamente famintos por qualquer alimento sólido não alcoólico. Já era sábado, e no caminho de volta para casa avistamos um posto de gasolina como outro qualquer, completamente deserto, habitado apenas pelos poucos funcionários reunidos, dividindo um limitado espaço em frente a uma TV ligada, disposta na pequenina loja de conveniência.

Para nós tratava-se de uma salvação. Eu nunca fui ou serei fã da comida disponível em lojas de conveniência, mas aceito as condições do momento sem qualquer histeria.

Enquanto eu mergulhava em um universo de carboidratos e açúcar refinado, o pequeno grupo de funcionários me chamou atenção. Pelo horário pouco poderia ser interessante na TV aberta, e ao me aproximar me surpreendi com a programação da TV a cabo, uma das obras mais incríveis, sensíveis e brilhantes do diretor inglês Garth Jennings, o espetacular Son Of Rambow (O Filho de Rambow, em português).

O roteiro é sensacional. Utilizando o universo infantil como cenário, a obra de Jennings explora diferentes temas utilizando uma abordagem mascarada, pontuando temas adultos através de uma perspectiva fantástica juvenil. A improvável amizade entre os protagonistas Lee Carter e Will Proudfoot é a base para uma série de questionamentos que envolvem desde a desunião familiar, o rigor exagerado de algumas religiões, o amor pelo cinema e o desejo inquietante de conquistar uma sublime felicidade.

Lee Carter é um delinquente juvenil que aproveita-se da ingenuidade de Will Proudfoot para furtar-lhe um relógio, mas ao identificar-se com Will, devido sua desastrosa história familiar, Lee aproxima-se do ingênuo garoto religioso com a proposta de juntos produzirem um grande filme de ação. Regrado por meio de severas condições religiosas, Will impressiona-se com a exibição pirata de “Rambo: Programado para Matar”, o clássico filme de ação, estrelado por Sylvester Stallone, exibido ocasionalmente em um dos diversos refúgios de Carter, e decide ao lado do novo amigo iniciar as gravações de “O Filho de Rambow”, uma variação fantástica do herói americano.

O filme ambientado na década de oitenta ostenta uma trilha sonora invejável, pontuada por canções clássicas, figurinos detalhados e passos de dança engraçadíssimos, promovendo um pequeno referencial nostálgico indireto, aos grandes clássicos juvenis produzidos na época.

Seria uma injusta trapaça dissecar a trama de Jennings por meio da descrição dos grandes momentos presentes no filme, mas acredite, “O Filho de Rambow” é sem dúvida alguma uma pequena obra prima inglesa, um retrato original sobre uma bela história de amizade, reconhecidamente aclamada pela crítica e pelo público. Uma pérola rara.

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