TEATRO | GALILEU GALILEI: PORQUE #SOMOSTODOSGALILEU

Galileu Galilei

Escrevo, como sempre, em tom confessional. Não sou crítica de teatro. Não tenho formação para tal. Não trabalho no meio. Não assisti (ainda) a tudo que deveria e gostaria para emitir opiniões de fato relevantes. Sou amadora, no sentido primeiro da palavra: aquele que realiza algo por amor. No caso aqui, curiosidade e necessidade de dar opinião podem ser incluídos em doses cavalares. Sou “pitaqueira” por princípio.

Dadas as explicações, preciso dizer que falar sobre a montagem de um texto considerado obra-prima de Brecht, com Denise Fraga sob direção de Cibele Forjaz, me deixou insegura. Por isso, falo como uma amadora, uma apaixonada que compartilha impressões e conjecturas feitas durante uma sopa de padaria na madrugada do último domingo, quando estive no TUCA para assistir Galileu Galilei.

A peça traz Denise Fraga como protagonista, o que, por si só já é uma ousadia: Galileu não seria um papel para ela, mas como a própria atriz afirma: “O mundo do teatro permite tudo”. O texto conta parte da biografia do cientista italiano que conseguiu provar que a Terra girava em torno do Sol, mas foi obrigado a negar publicamente a sua descoberta para não ser queimado na fogueira da Santa Inquisição. A atitude do professor, considerada covarde por muitos, permitiu, entretanto, que o cientista terminasse seu famoso livro “I DISCORSI”, obra redigida em segredo dos olhares da Inquisição e que revolucionou a ciência.

É em meio a um grande clima carnavalesco que o público assiste a Denise Fraga, Ary França, Rodrigo Pandolfo, Lúcia Romano, Théo Werneck (que faz uma direção musical belíssima) e elenco afinado, representarem a máxima de Brecht “divertir para comunicar”. A partir da história de um cientista do século XVII, a montagem discute a submissão a que todos somos impostos, seja nas grandes corporações, nas universidades ou na vida mais prática do cidadão menos politizado do planeta.

Quantas vezes nos vemos diante de situações em que defendemos o óbvio? Quantos sapos enormes temos de engolir com cara de desentendidos? De quanto dos nossos ideais abrimos mão para viver? E, por fim, quanto de Galileu há em cada um de nós? A peça faz, de forma sensível e bem-humorada, aquela mágica que adoramos presenciar nos palcos: provocar seu público de forma acertada e promover a identificação dele com as questões centrais do texto.

O destaque vai para a passagem em que vemos personagens de perucas loiras reconstruindo o famoso “panelaço” das varandas da classe média indignada. Belíssima, uma das ironias bem construídas ao longo dos 140 minutos em que somos provocados por Denise Fraga e seus companheiros que, além das performances encantadoras, divertem-se descaradamente durante todo o espetáculo.

galileuposter

Por fim, Galileu Galilei é um convite. A ser provocado, a pensar, a ver aquilo que o cientista viu lá no XVII e que, com olhos minimamente abertos e sem ajuda de luneta, somos capazes de ver todos os dias. Em tempo de hashtags: #somostodosgalileu.

Galileu Galilei
Quando: 15 de maio a 30 de agosto. Sextas e sábados, às 21h, e domingo às 19h
Onde: Tuca – Teatro da PUC-SP – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Quanto: Sextas: R$50; sábados e domingos: R$70 (inteira)
Preço especial PUC-SP R$ 10 (estudantes, professores e funcionários da PUC sob comprovação – número de ingressos limitado a 10% da lotação do teatro)

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