CINEMA | O REBOOT AGRADÁVEL DO ESPETACULAR ARACNÍDEO

Depois de muito tempo ignorando, eu finalmente decidi assistir ao mais recente filme do super-herói mais sem graça do universo. Gosto é algo complicado de se discutir, portanto não se desespere quando perceber que trata-se de um dos mais populares super-heróis de todos os tempos, o espetacular Homem-Aranha.

Não desanime. Eu sei que considerando apenas o universo das historias em quadrinhos, o introspectivo e atrapalhado Peter Parker possui um dos melhores enredos em todos os tempos, mas é inegável que a sua trilogia cinematográfica inicial, sob os cuidados do exageradamente insuportável Sam Raimi, é uma tristeza.

Raimi transformou o herói problemático em uma variação débil do exagerado patriotismo americano. Tudo no universo de Raimi é exagerado, estupidamente plástico e digno do universo Cartoon Network. E se você considerar que Tobey Maguire, um dos atores mais limitados da história do cinema, é o responsável pelo papel principal da trama aracnídea, o drama não possui fim. Catástrofe. Desespero. Revolta.

Tragédia?

Não posso afirmar que a trilogia de Raimi trata-se de uma tragédia completa, pois independente de sua (falta de) qualidade artística, a obra é (inacreditavelmente) uma das maiores bilheterias da história do cinema. Qual é a explicação? Existe? Provavelmente o mérito financeiro deve-se à devoção dos fãs (acredito), ou talvez qualquer outro motivo que neste momento eu não seja capaz de imaginar. De qualquer forma, o Homem-Aranha de Raimi & Maguire merece respeito.

Quando foi anunciado o reboot precoce da trilogia aracnídea, muitos desconfiaram do real motivo envolvido, mas na minha distorcida percepção tudo estava muito claro. O estúdio responsável pela produção dos filmes sempre soube da precariedade técnica e artística de Raimi. Os fãs obcecados nunca digeriram com satisfação o Peter Parker sonso de Maguire, e se mesmo assim o resultado foi um lucro extraordinário, imagine reiniciar a série corrigindo as principais críticas? Lucro estratosférico? Talvez.

Para o (fácil) desafio de superar tecnicamente e artisticamente Raimi, o jovem diretor Marc Webb foi anunciado com desconfiança, pois poucos acreditavam que o reboot precoce da trilogia aracnídea superaria o gigantismo do resultado financeiro anterior. Webb é o responsável pelo simpático romance independente 500 Dias com Ela, um filme adverso à qualquer indício de ação e uniformes ultra coloridos. Respeitado pela crítica e fascinado com ambiciosa indústria de blockbusters hollywoodianos, Webb aceitou o desafio.

O resultado é honesto. Sem dúvida o herói aracnídeo de Webb supera qualquer expressão plástica de Maguire na trilogia de Raimi, mas apesar do resultado crítico positivo, o novo Peter Parker de Webb, interpretado pelo antipático Andrew Garfield, ainda não convence. Falta ao novato a simpatia e sincronia que se espera do personagem mais famoso de Stan Lee. Apesar dos pesares, o reinicio da série é agradável, sustenta uma garantida continuação e acerta na escolha de Emma Stone como a deliciosa Gwen Stacy. Todos agradecem.

Agora resta-me apenas transferir o título de super-herói mais sem graça do universo ao trágico Lanterna Verde. Este não possui salvação.

<20|12>

Você também é parte do MESSCLA! Gostou da coluna? Ajude a nossa multiplicação! Curta nossa página e compartilhe nossos posts!

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s