CINEMA | O ÚLTIMO BATMAN DE NOLAN

Christopher Nolan é o responsável pela nova trilogia do cavaleiro das trevas. E o Batman sempre foi o meu super-herói favorito. Foi emocionante rever o seu renascimento sombrio, sem o colorido circense indigno de sua seriedade profunda. O novo Batman é um detetive mascarado adulto. Um herói severamente perturbado, e não um juvenil excêntrico milionário, como já fora retratado antes. Mas o terceiro e final ato de Nolan é previsível, indigno e pequeno se comparado ao seu antecessor, o brilhante “O Cavaleiro das Trevas”.

Todo o progresso conquistado no filme anterior perdeu-se no ato final, o aguardado e decepcionante “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. Nolan deixou-se consumir pela pretensão, transformando o último capítulo de sua elogiada trilogia em um conjunto de fórmulas previsíveis, presentes em qualquer outro filme de ação. Para o desespero dos fãs, a pornografia amadora provavelmente consegue ser mais imprevisível do que a aclamada conclusão épica do homem-morcego.

O Batman que conhecemos não possui qualquer poder extraordinário. Bruce Wayne resume-se em um detetive de percepção espetacular, um fragmento referencial distorcido ao clássico Sherlock Holmes. O arrogante herdeiro milionário (ou seria bilionário), conta com uma influente rede de parceiros infiltrados em todos os níveis da sociedade que tanto preza e defende. Batman dispõe de uma infinita coleção dispositivos inimagináveis, até mesmo para os graduados no assunto, como o elegante agente britânico 007. Tem quem inclusive acredite que o Batman é apenas uma variação carnavalesca do agente secreto inglês, em um universo obviamente mais gótico, porém igualmente insano devido a sua quantidade de inimigos mentalmente perturbados.

Para um fã é triste conferir a falta de todos os elementos essenciais ao maior herói de Gotham City. Em seu ato final, Batman é um recluso e displicente eremita frágil. Seus inimigos estão sempre à sua frente, com a influência e o poder necessários para dominar uma cidade inteira, independente de qualquer reação de sua sociedade apática ou do estado maior – sempre passivo diante da assustadora ameaça terrorista. O filme de Nolan é tão infantil, que em um determinado momento decisivo, o diretor aposta no heroico patriotismo emocional. Ao enquadrar uma surrada bandeira americana flamejante, Nolan faz uma referência metafórica à indestrutível união e ao poder de reação do povo norte americano. Desconstruindo a essência de um herói universal como o Batman, antes um habitante da fictícia cidade de Gotham City, e agora transformado em mais um símbolo defensor da supremacia norte-americana.

Mas devemos culpar Nolan? Sim, ele é o diretor, o roteirista e o produtor de “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. A imparcialidade sempre foi o mais adequado ao homem-morcego, mas em seu ato final o idealismo é outro. Batman está descaracterizado. Toda a sua perspicácia e poder de fogo se concentram nas mãos de seus inimigos. Batman está fraco. E após ser severamente derrotado, Bruce Wayne é condenado a viver os seus últimos dias recluso, preso na temida “pior prisão do universo”. É engraçado pensar que apesar de estar preso na “pior prisão do universo”, Batman recebe os cuidados necessários para tratar (e curar) uma preocupante fratura em sua coluna (!), sem perder um único capítulo da televisionada dominação apática de Gotham City. Irônico.

Se refletirmos bem, Nolan é um garoto ansioso. Não existe um vilão maior que o hipnótico Coringa em toda a conhecida história de Batman. Para a sorte de Nolan, a interpretação impecável de Heath Ledger transformou “O Cavaleiro das Trevas”, no melhor e mais lucrativo filme de super-heróis de todos os tempos. É complicado superar essa marca em um terceiro e conclusivo filme. Como superar o maior vilão da história de um super-herói? Como superar a interpretação única de um ator em sintonia divina como Ledger? Como superar a bilheteria do maior filme do seu gênero? A ansiedade de Nolan fez de seu segundo ato o único fim aceitável para uma impecável trilogia.

É claro que existem alguns momentos brilhantes. Alfred continua impecável na interpretação emocionada de Michael Caine. Gary Oldman ainda é sem dúvida um épico Jim Gordon, e mesmo Anne Hathaway representa bem o seu papel como a sedutora Mulher-Gato, mas sem superar o brilho impecável de Michelle Pfeiffer, que estará sempre presente na memória dos fãs.

Nolan apostou em Bane, um vilão sem adjetivos para o seu capítulo final, mas poderia ter explorado nomes mais notáveis e atraentes, como o Pinguim, Mr. Freeze, Hera Venenosa, Charada ou até mesmo o Chapeleiro Louco. Mas seja quem for, dificilmente alguém superaria o Coringa de Ledger de qualquer forma.

O Batman finalmente se despede. Com um final feliz para o mais infeliz dos personagens em quadrinhos. Sim, o Batman se despede sorrindo.

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