SÉRIES | O FIM DE 30 ROCK E O HUMOR NORTE AMERICANO

Eu acompanho o trabalho realizado pela incansável Tina Fey desde os seus primeiros quadros no mítico Saturday Night Live (SNL). A mulher é espetacular. Roteirista, comediante, diretora e atriz, Fey é uma peça fundamental para o desenvolvimento e a manutenção do humor norte americano, seja para o bem ou para o mal.

Seu mais ambicioso e genial projeto, o seriado 30 Rock, produzido e transmitido pela rede americana NBC encerra sua atual sexta e penúltima temporada, de acordo com as declarações do presidente da emissora, Robert Greenblatt. A próxima e última temporada irá contar com um número menor de episódios e deve ser exibida apenas no próximo ano. Um triste, mas esperado fim.

A série possui um elenco regular que consiste em treze membros, entre os quais a própria Tina Fey, Tracy Morgan, Jane Krakowski, Jack McBrayer e Alec Baldwin, para citar alguns. Diversos atores, apresentadores, modelos, empresários, políticos e músicos já participaram da atração em aparições especiais hilárias, tornando o convite de ser parte de 30 Rock um privilégio.

30 Rock é, e provavelmente sempre será, um produto diferencial na história do humor norte americano. Premiada três vezes consecutivas com o Emmy de melhor comédia televisiva, em 2007, 2008 e 2009, a série retrata o dia a dia caótico de Liz Lemon (Tina Fey), produtora e roteirista de uma série cômica fictícia chamada The Girlie Show with Tracy Jordan. Muito do que pode ser acompanhado em 30 Rock tem como base os anos de roteirista e produção de Fey no SNL, tanto que, o nome da série é uma clara referência ao 30 Rockefeller Plaza, edifício onde o SNL é produzido.

O grande diferencial de Fey é entender a comédia como uma arte em constante desenvolvimento e transformação. Tina não se permite limitar-se à segurança de fórmulas de sucesso. Sua obra prima não atende a uma única regra do humor, abusando desde a escola clássica de Charles Chaplin, com quadros sem diálogos repletos de expressão e humor clássico, comédia pastelão agressiva, digna dos Os Três Patetas, diálogos depreciativos sarcásticos e explosivos como em Monty Python, e situações de exagero nonsense, escatológicas, equilibradas por uma crítica ácida atual.

Fey vê o humor em qualquer situação. Basta que um de seus inúmeros personagens se atreva a preparar um simples café, para que o momento de humor aconteça. A genialidade de recursos inseridos é espetacular. Em uma única tomada diversas técnicas são aplicadas, sem limitação de tema ou qualquer preservação de potenciais vítimas. Tina acredita que ninguém seja melhor do que um legítimo americano, para rir de um americano. Seu humor atinge personalidades que vão do Presidente aos patrocinadores do programa. Seu atrevimento sargaz desafia a diferença entre os hábitos, tradições, símbolos e raças, sem nunca perder o bom senso intelectual, que quando bem escrito não agride (ou pretende atingir) a audiência.

30 Rock irá fazer falta, mas com certeza podemos esperar por algo novo e genial no que depender de Tina Fey. Aos fãs resta apreciar a espetacular atual e penúltima temporada, qual coincidentemente (?) exagera na ridicularização do potencial futuro da própria emissora, e aguardar por um final ainda mais espetacular, onde provavelmente a maior vítima de seu admirável humor seremos nós, os fãs.

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